Sunday, June 11, 2006

Aula 21: Quando a Bomba Explode

Até aqui temos falado do mundo como se ele fosse algo previsível, algo fácil de controlar e manipular, o que, regra geral até pode ser, mas o que fazer quando sucede algo que nos apanha desprevenido, quando é preciso fazer aquilo a que se chama comunicação de crise?
Bem, em primeiro lugar o mais importante é nunca ser apanhado desprevenido, é preciso haver sempre um plano delineado para quando uma crise surge. Depois, por mais estranho que pareça, o importante é não mentir, admitir-se sempre o que quer que seja o mais depressa possível e com a maior finesse, e depois tentar-se subtilmente atirar as culpas para outros. Se se tiver tempo pode-se também, dizer “espera lá que não sou só eu, há este, aquele e aqueloutro que fazem, fizeram ou planeiam vir a fazer o mesmo”, isto não evita o impacto, mas, pelo menos, diminui a sua força.
Por outro lado, o que nunca se deve fazer é negar o que quer que possivelmente tenha sucedido (mesmo que seja mentira), deve-se sempre dizer que “se estão a proceder a cuidadosas averiguações para apurar a veracidade e responsabilidades do caso”. Ignorar uma crise também não é bom remédio, pois pode dar asas a rumores do género “se eles não respondem é porque é verdade”.
Um caso flagrante em que uma comunicação de crise foi mal gerida foi a que se passou a seguir a 11 de Março em Espanha. Nessa altura, José Maria Azenar, atribuiu a culpa dos atentados no comboio a ETA. No início a mentira colou, mas com o passar das horas e o acumular de factos tudo apontava para um atentado por uma organização terrorista islâmica. As pessoas rapidamente se aperceberam que estavam a ser vitimas de um embuste e, dois dias depois, nas eleições o PP, o partido de Azenar que estava claramente à frente nas sondagens sofreu uma derrota esmagadora.
Moral da historia? Em tudo o resto a mentira pode ser um bom recurso, mas no que toca a crises é melhor planear com antecedência e depois, na hora em que alguma coisa correr mal (porque vai correr mal) assumir a verdade, da maneira mais soft possível.
Para isso, claro, é preciso que haja gente especializada em comunicações de crise, pois é necessário uma reacção rápida e eficaz, que não pode ser deixada nas mãos de pessoas com menos preparação…

Aula 20: E Se Bush Tivesse Um Cerebro?

O cérebro de Bush. Muitos se perguntam onde está, outros dizem até que não existe, e há até quem afirme que se dissolveu em Johnny Walker há muitos anos atrás. Isso, como é obvio é uma grande mentira, Bush, como toda gente, tem um cérebro, pura e simplesmente não está guardado na sua própria cabeça. O cérebro de Bush está bem guardado dentro do crânio de um Sr. chamado Karl Rove. Segundo reza a lendo um dia o Sr. Rove chegou ao pé do Sr. W. Bush e disse-lhe:
- Vou fazer de si presidente.
Ao que Bush retorquiu:
- Não, vá lá, fale a sério…
- Não, não, eu vou mesmo fazer de si presidente. Primeiro temos que o fazer governador do Texas.
E o resto é aquele filme com o Jim Kerry, “Uma Série de Desgraças”.
De facto, Karl Rove, é o verdadeiro Spin Doctor. Se houvesse um óscar para melhor Spin Doctor ele ganhava-o de certeza. Mas claro que isso não pode acontecer, porque afinal, como todos sabemos, os Spin Doctors não existem.
Karl Rove é meramente um homem discreto, com uma posição mal definida na hierequa mas muito próxima do poder com quem tem extrema confiança, é alguém a quem não se pode atribuir responsabilidade, apenas suspeitas, por muitas das suas actividades, já que estas são ilegais, ou, pelo menos, pouco éticas, é um especialista em marketing, politica e manobras de diversão e cria as mensagens que o seu protagonista irá difundir.
Já por seu lado, um Spin Doctor, a existir, seria alguém discreto, com uma posição mal definida na hierarquia mas muito próxima do poder com quem teria extrema confiança, seria alguém a quem não se poderia atribuir responsabilidade, apenas suspeitas…esperem aí? Será que…? Não, é impossível, imaginem, o homem que conseguiu reeleger Bush, após uma enorme série de broncas, tanto na politica interna como na externa ser um Spin Doctor! Ridículo! O que ele é é alguém com…muito jeito para o “spin”?
Bem, para todos os efeitos o que há é alguns rumores de que Karl Rove tem condutas menos éticas de modo a destruir completamente os adversários daqueles para quem trabalha. Haver provas é que não. Mas ao longo do tempo este sr. tem-se mostrado um especialista em fazer ganhar os seus candidatos, sem se saber muito bem como.
A única ocasião em que os seu planos saíram furados foi quando um enviado dos estados Unidos não confirmou os dados oficiais de venda de Urânio ao Iraque e Karl Rove deixou escapar para os jornais a inconfidência de que a esposa desse enviado trabalhava para CIA, meramente expondo a sra e colocando a sua vida em risco. Nem ele conseguiu girar para fora dessa situação e teve que ser demitido.
No entanto, não será certamente isso que para um homem que trabalha para a família Bush há mais de 20 anos…

Aula 19: O Filme "Manobras na Casa Branca" ou A Satira que Se Tornou Realidade

E agora mais um caso de ficção a tentar retratar a realidade, mas neste caso uma sátira.
“Manobras na Casa Branca” é um filme que relata a história de como após o surgimento de um escândalo sexual que envolve o presidente dos Estados Unidos (será que isto trás Clinton à memoria?) um Spin Doctor cria uma guerra ficticia na Albânia (“Porque não?”) de maneira a distrair os meios de comunicação social até as eleições, que estão a 11 dias de distancia. Durante o filme podemos divertir-nos com o uso de todo o arsenal que um Spin Doctor tem à mão, desde mentiras descaradas (“O Presidente tem que ficar mais um dia na China por causa do seu estado de saúde”, quando na realidade apenas é para não ser confrontado com as acusações), fugas de informação (“Isto não tem nada a haver com o Bombardeiro B3”, que nunca existiu, nem ninguém referiu, mas que é uma boa forma de desviar a atenção dos media). Tudo o resto mostra como as nossas mentes colectivas podem ser facilmente enganadas pela comunicação social e como esta pode ser manipulada ao belo prazer dos políticos bastando que para isso haja alguém com mão de maestro por trás. Durante o filme a Guerra na Albânia, que nunca sucede realmente, é levada aos meios de comunicação através das mãos do produtor Stanlei Motss, que cria uma história fácil de engolir, sobre terroristas albaneses com armamento nuclear portátil, para ir passando nos noticiários.
Graças a esses artifícios a noticia do escândalo passa para terceiro plano. Isto são verdadeiras manobras de diversão, e embora não exactamente desta forma (pelo menos pensamos nós) é algo que sucede muito frequentemente na nossa sociedade moderna. Hoje em dia temos guerras reais, com vitimas reais, criadas apenas para distrair os media de algum assunto mais inconveniente.
Voltando ao filme, no entanto, surgem complicações e o adversário do presidente parece saber que não há guerra nenhuma e portanto declara-lhe um fim. A isso o nosso Spin Doctor reage com desespero, mas Stanlei Motss limita-se a criar um “segundo-acto”. Aqui entra o soldado inexistente “Shuemen”, apelidado de “Old Shoe”, e que, supostamente foi deixado atrás das linhas inimigas, agora, após se ter tocado nos medos e nacionalismo da população é altura de puxar pelas cordas do coração. Agora a população está agarrada ao ecrã, a torcer pelo regresso do pobre soldado esquecido. Desta forma, o escândalo do presidente continua sem ser relembrado enquanto as eleições se aproximam.
No final do filme o presidente vence, mas Stanlei Motss comete um erro, bastante literalmente, fatal, decide querer revelar que foi ele que esteve por trás de toda a guerra na Albânia. É morto. É por isso que Stanlei nunca poderia ser considerado um Spin Doctor, pois tinha demasiada sede de protagonismo e seria incapaz de se manter nas sombras.
Um detalhe curioso acerca deste filme é que a única vez que o presidente toma alguma decisão em todo este processo, é sobre algo absolutamente insignificante e inconsequente, tudo o resto se passa sem a sua opinião. Mais uma vez, se pretensde dizer que quem realmente governa o mundo são os Spin Doctors e não os políticos…

Aula 18: Quem Nos Trata das Opiniões?

“O que é um “Spin Doctor”?” Esta é uma pergunta que muitas pessoas podem nunca vir a fazer porque nem sequer ouviram falar de tal termo. Bem, isso só é sinal de uma coisa, que os Spin Doctors estão a fazer bem o seu trabalho. De facto, um Spin Doctor é um especialista em se manter nas sombras, atrás de homens com poder, de modo a faze-los ganhar esse poder, e a mantê-lo depois. Esqueçam as teorias da conspiração em que uma associação secreta controla todos os desígnios da humanidade, isso não existe. Agora, quem realmente está no leme, quem puxa os cordelinhos das marionetas politicas, quem da voz aos fantoches são os Spin Doctors. É uma profissão muito obscura e que oficialmente não existe, mas no fundo, as funções que eles não desempenham são as de manipuladores. Muitas das suas acções nem sequer podem ser traçadas até eles, e muitas outras roçam a ilegalidade. No entanto são eles que dizem aos políticos o que fazer e o que dizer. Por outro lado também establecem contactos com a imprensa de modo a garantir que a informação que passa do seu candidato é a mais favorável. Um debate, por exemplo, é sempre ganho pelo melhor Spin-Doctor.
Devido ao seu secretismo é difícil traçar-se um perfil correcto e exacto de um Spin-Doctor, mas regra geral são sempre gente que já esteve ligada à imprensa ou á publicidade, e tem uma forte capacidade de argumentação, persuasão e, acima de tudo, um excelente conhecimento de como um público funciona.
O facto é que as funções de um destes especialistas em manipulação não terminam na imprensa, mas estendem-se a todas as áreas que possam ter impacto na imagem do seu candidato, mesmo que seja dentro do próprio partido…
No fundo, se os políticos são os actores e os jornalistas a audiência, os Spin Doctors são os realizadores de todo este espectáculo a que chamamos politica. Hoje em dia o poder de um destes homens é tanto que ele pode até encomendar uma guerra, só para limpar a imagem de alguém. Não estamos portanto a falar de mera manipulação de informação mas da criação da própria informação. Os Spin-Doctors, no fundo são, cada vez mais, aqueles que gerem o mundo…

Aula 17: O Filme "Boris", ou Como os Americanos Ganharam Na Russia

Até aqui temos falado de como a realidade imita ficção, desta vez vamos falar de como a ficção pode retratar a realidade.
Em 1996 o presidente russo Boris Ieltsin, estava em processo de re-eleição. No entanto o futuro não lhe parecia ser sorridente, pois as sondagens indicavam que estava prestes a perder para Zyuganov, que reunia 30% das intenções de voto. Ieltsin, por seu lado tinha apenas 6%. No entanto, no final das eleições Ieltsin ganhou. Como se deu este milagre? Nunca ninguém o saberia não fosse o facto do jornalista da revista Times em Moscovo, ter publicado, após as eleições uma reportagem chamada “Yanks to the Rescue; The secret story of how american advisers helped Yeltsin win”, onde contava como o apoio de três assessores americanos, contratados em segredo, foi crucial para a vitória de Boris Ieltsin.
Em 2003 foi feito um filme, tendo esse artigo por base, em que se conta a historia de como estes três homens (George Gorton, Dick Dresner e Joe Shuemate), conseguiram levar Ieltsin á vitoria.
Toda a primeira parte do filme trata de como os consultores tentam conseguir controlar o candidato de modo a poderem dizer-lhe como agir, como se apresentar e como falar de modo a agradar mais ao seu publico alvo, neste caso, o eleitorado russo. Quando por fim conseguem que Ieltsin seda aos seu pedidos, tratam rapidamente de avaliarem a sua imagem publica de modo a corrigirem o que está mal. Contratam uma empresa de estudos de mercado para saberem quais são as opiniões gerais sobre Ieltsin e depois tudo quanto o Presidente faz, desde a forma como aparece nos cartazes, até a sua agenda diária é planeada de modo a maximizar a sua aceitação pelo povo russo. Os seus discursos são cuidadosamente construídos, tenta-se arranjar formas de colocar apoiantes de Ieltsin na imprensa, e as suas aparições mediáticas são também minuciosamente encenadas e planeadas (até se chega ao ponto de se explicar a uma multidão como aplaudir espontaneamente). De seguida, quando os valores das sondagens já são mais favoráveis mas ainda insuficientes para uma vitória segura tratam de saber o que é que pode ser dado e prometido ao russo comum para que as suas expectativas sejam satisfeitas. Quando o descobrem é isso mesmo que se faz. Por fim, chega-se ao ponto de se contactar o assessor do Bill Clinton, presidente dos Estados Unidos na altura e conseguir arranjar uma gloriosa visita oficial, em que Clinton basicamente, faz campanha para Ieltsin. Por fim faltavam alguns dias para a eleição, a vitoria era incerta, ainda que possível. Foi nesta altura que Boris Ieltsin acedeu a fazer algo que se tinha recusado a fazer desde o principio: uma campanha negativa. Surgiram então anúncios que denegriam o Partido Comunista, ao qual pertencia Zyuganov, usando imagens com o intuito claro de chocar a população.
Esta foi a gota de agua, Ieltsin ganhou, ironicamente graças a intervenção, sempre secreta, de americanos.
Durante o filme ficamos com a clara sensação que o que move homens como George Gorton, Dick Dresner e Joe Shuemate, é meramente a sede de lucro, não tendo qualquer tipo de fidelidade ou principio a não ser para com as pessoas para quem trabalham, (afinal, nunca se deve morder a mão que nos alimenta). Quanto a ideais, verdade, ou até honestidade, isso, bem, são só meras palavras…

Aula 16: Luís Paixão Martins: Olhe que não, olhe que não...manipulamos

Duas coisas se sabem: Cavaco Silva é o actual Presidente da Republica, enquanto que José Socrates é o actual primeiro ministro. Mas como lá chegaram? Quais os seus segredos? Quais foram os “truques” que os levaram ao poder?
Luís Paixão Martins, considerado uma autoridade em Relações Publicas no nosso país, pode muito bem ter consigo a resposta, já que foi o responsável pelas duas candidaturas, mas como bom relações publicas que é, não o iria revelar frente a um auditório cheio de estudantes com canetas e blocos de apontamentos em riste. Com bastante talento e astúcia soube escapar a varias questões que poderiam abrir alguma luz sobre esses temas.
No entanto foi deixando algumas ideias bem claras nessas áreas, a primeira foi que José Sócrates, como produto, foi muito mais fácil de vender que Cavaco Silva, visto que o primeiro era uma figura carismática, com uma boa relação com os media, enquanto que o segundo era, muito mais inexpressivo e muito mais fechado. Quando questionado sobre se se considerava um manipulador Luís Paixão Martins deu o exemplo de como quando num debate filmavam o Dr. Cavaco Silva, o faziam sempre de modo a mostrar os seus braços, visto que a sua face é, tal como já foi dito inexpressiva. Isto, segundo Luís Paixão Martins, não é, de modo algum manipular ninguém, é antes “influenciar”. Luís Paixão Martins sublinhou também, que em ultima analise, quem realmente faz de um candidato vencedor ou não em Portugal, é a comunicação social, com os quais é preciso ter uma boa relação.
Ao longo da conferencia, no entanto, foram partilhadas com os alunos algumas curiosidades deste estranho mundo das Relações Publicas e Assessoria de Imprensa. Uma delas, que eu achei das mais fascinantes, foi o que chamou de “Toto-bite”. Neste jogo, de Relações Publicas e Assessores de Imprensa só é preciso
*Um Candidato
*Um Discurso
*Alguns Sound Bites
*Quatro Canais de Televisão
*E Quatro Noticiários
As regras do jogo são simples, depois de se dar um discurso ao nosso candidato vamos para casa e ligamos a TV nos noticiários. Depois é só ver em quantos deles aparecem as partes do discurso quer esperamos que eles repitam.
Esta é a tabela de resultados:
1 Noticiario: Fraquito
2 Noticiarios: Médio
3 Noticiarios: Bom
4 Noticiarios: Jackpot
Claro que tudo isto é apenas “influencia”.
E já que estamos no assunto de sound bites, um dos pontos mais curiosos da conferencia foi quando questionado por um aluno sobre se o uso da expressão “olhe que não, olhe que não”, durante um debate teria sido uma estratégia de um candidato, Luís Paixão Martins respondeu não saber, mas isto apenas enquanto pensava que o aluno se referia a um debate bastante mais recente, entre Cavaco Silva e Mário Soares, quando o aluno clarificou que se referia ao “olhe que não” original, o do debate entre Cunhal e Soares, então aí sim, pode dar uma resposta e assumir que nesse caso provavelmente tinha sido uma utilização não intencional.
Por fim, quando lhe questionaram sobre mentir a jornalistas, a sua resposta foi bastante directa, “nunca”, mas claro que se pode sempre omitir informação de que se pode necessitar mais tarde...

Aula 15: A Luta de Lama

Ah… o prazer de assistir a uma bela luta de lama. É disso que vamos falar nesta entrada. Muito recentemente Portugal teve direito a assistir a um tipo de espectáculo que noutros países já é pratica corrente. A chamada campanha negativa. Infelizmente esta é uma modalidade na qual ainda somos muito fraquinhos e que não parece ter muitos adeptos entre o publico português (tal como o ténis), mas há que dar credito aos nossos políticos pois lá que a tentaram, tentaram. Durante as ultimas eleições legislativas pudemos ver rumores menos bonitos sobre alguns candidatos a serem lançados pelo ar não se sabe bem por quem, cartazes com criticas aos adversários em vez de auto-elogios, e uma panóplia de criticas e insultos a serem trocados entre os candidatos. Foi bastante dignificante para a nossa politica e certamente chegou ao nível de campanhas tão importantes como de “Apagador oficial do quadro da Sala 12 do Infantário de Arrais de Cima”.
Infelizmente o público português parece não ter a sensibilidade necessária para apreciar tais artes pois a sua reacção a elas foi bastante negativa.
Um dos pontos mais abismais desta campanha foi quando começaram a circular rumores sobre a eventual “homossexualidade” de José Sócrates, lançados, ao que parece por um obscuro site de “fofocas” brasileiro (sites esses, que como todos sabem, se costumam interessar fatalmente pela politica portuguesa) e foi depois ganhando voz, por vezes, intencionalmente, em órgãos de informação nacionais. Por fim, atingindo o seu auge como rumor, quando foi usado por Santana Lopes, num dos seus discursos como uma insinuação dúbia. Nesta situação o PS pode-se dar ao luxo de não responder ao rumor porque a sua vitória era mais ou menos segura, por mais cerrados que fossem os ataques dos opositores.
No entanto, a menos que a situação seja esta, os especialistas da matéria não aconselham que se ignorem rumores, pois estes podem ser bastante prejudiciais e que se arranje forma de lhes responder.

Aula 14: Vote e Leve um Governo Completamente Grátis

Mas agora vamos entrar na politica propriamente dita. Lembram-se do tempo em que um politico era um tipo honesto, em quem podíamos confiar, porque tinha a decência de só mentir descaradamente? Pois é, hoje em dia já nem com isso podemos contar. Hoje é um bocadinho mais complicado, é caso para dizer, roubando e desfigurando completamente Fernando Pessoa, que “um politico é fingidor, que finge tão completamente, que chega a fingir que é mentira a verdade que deveras mente.” Aqui saímos por momentos do teatro e entramos na área do “Wrestling”. Vale tudo menos arrancar olhos (já tapá-los ou tolda-los, é praticamente obrigatório). Não interessa como, o que interessa mesmo é vencer. A verdade pode ser usada como mentira, a mentira misturada com verdade e a mais pura das verdades pode ser distorcida e manipulada até não se distinguir da mentira. O Markting Politico é uma luta diária. E desenganem-se aqueles que suspeitam que o Direito de Antena é a coisa mais manipuladora que podem ver, ou que as campanhas eleitorais são as coisas mais desonestas que existem. Muito pelo contrário, ao menos nessas alturas sabemos o que estamos a ver. Os nossos cordelinhos estão a ser puxados muito antes de nos avisarem disso. A campanha começa, mal as eleições acabam. O motivo para isto é que a politica não é estável (os políticos são como autocarros, estão sempre a chegar e a partir e, pelo meio, dão-nos secas de todo o tamanho), e a manutenção do posto depende da opinião do público. Por isso há que a manter bem medida, através de estudos de opinião e controlada através de “relações publicas” e “assessorias de imprensa” (que são, no fundo, formas de deixar que os media nos vendam e, se Deus quiser e a comunicação for eficaz, que quem foi atingido pelos media nos venda a outros, um bocadinho como um daqueles esquemas em pirâmide). Durante esta altura é bom cuidar da imagem que vamos dar ao produto…er…perdão…politico. Tudo, desde a forma como se veste até a forma como se movimenta, passando pela forma como fala (e, as vezes, embora que isso seja bastante acessório, aquilo que diz) é medido e moldado de maneira a criar uma marca…er…perdão novamente…imagem de marca que agrade ao publico Há imensa gente atrás de cada um dos senhores do poder para se certificar que ele seja visto assim e não assado, aqui, mas não ali.
Depois, algumas semanas antes das eleições é que começa o verdadeiro arraial, o ultimo esticão, que pode ser decisivo, com muita música, muita luz, muita cor e bombos e fanfarras a tocar. É a campanha eleitoral, senhoras e senhores! Bem vindos aos comícios, ás visitinhas porta a porta, aos apertos de mão nos mercados (tudo isto markting directo), ás ofertas de canetas, aventais e frigoríficos com o nome do partido e foto do candidato (tudo isto merchandising), aos cartazes e outdors com promessas de um maravilhoso futuro se A ou B ganharem a C ou D (tudo isto publicidade e propaganda). Venham todos assistir! Uma maravilhosa época festiva (assim como o Natal ou, possivelmente mais parecido, o Carnaval) que culmina consigo a depositar um boletim numa urna! O nome e figurinha à frente dos quais pôs a cruz são aqueles que comprou! Mas se depois vier a ver que têm defeito, infelizmente, não pode pedir a devolução durante os próximos quatro anos.
Por fim ainda há uma técnica que importa destacar. Durante estes dois períodos há algo que está sempre presente. Os discursos e debates. É importante saber que, por mais naturais, convictas e espontâneas que pareçam as palavras proferidas por um candidato, ou politico, elas são sempre tão cuidadosamente construídas como uma ponte e coreografadas como um ballet. Em todos os momentos há frases, inocentemente, inseridas, que pretendem chamar a atenção do público e da imprensa. São os chamados “Sound-bites”, as ideias chave, que, como os filhos de Adão e Eva, devem crescer e multiplicar-se, passando de boca em boca, de cabeça em cabeça, até se tornarem parte do dia e dia, propagando, dessa forma, as ideias que mais interessam a estas figuras.
Para terminar esta entrada no blog com um “Sound-bite” famoso, acho que se pode dizer mesmo “tha-tha-tha-that’s all folks”!

Aula 13: A Magia da Manipulação

E agora… senhoras e senhores, o espectáculo propriamente dito.
Se pensavam que só durante os momentos “não informativos” é que havia gente a tentar manipular-vos, pois pensem de novo, aquilo a que alguns chamam de “espaços de informação”, outros, mais sábios, ou pelo menos espertinhos, chamam “palco do espectáculo”. As luzes da ribalta só se ligam quando a imprensa está no local, e isso dá para os dois lados. Não está cá um jornalista? Então espanquem o prisioneiro de guerra à vontade! Quem é que vai saber? Por outro lado, se estamos rodeados de jornalistas, que melhor altura para puxar de um cobertor, uma chávena de cházinho quente e alguns biscoitinhos de chocolate para oferecer ao pobre inimigo capturado enquanto o tratamos com muito respeito e civismo. Mas primeiro, claro, temos que escolher um que seja arranjadinho e esteja ligeiramente menos piolhoso que os outros, de preferência que tenha um ar triste, mas simpático e resignado. É disso que o povo gosta. E a parte mais bonita disto tudo é que, reparem, ninguém está a realmente a mentir (bem…ok, só ás vezes, mas essas não contam realmente, sim?) está-se só a dar a fatia da “verdade” que mais interessa! Não é fantástico?
Ora há já algum tempo que aqueles que mais precisam do apoio do publico aprenderam a utilizar este palco como bem entendem de modo a cimentarem a sua posição, combaterem a dos seus adversários, ou deflectirem criticas que lhes são lançadas. E isto é feito com toda a honestidade (bem, quase)! A sério! Ignorem as figas que estou a fazer por trás das costas neste momento! Mesmo! Como se diz em terras do Tio Sam (e também da velhinha Britania, mas quem é que se lembra dessa) “It’s Show Time!”
E aqui é que as coisas se complicam. Por vezes um politico, ou figura publica, quer aparecer, outras vezes só quer que algo que se diz sobre ele desapareça (muito provavelmente, algo atirado para o palco por um adversário). No primeiro caso é relativamente simples, só se tem que mostrar aos jornalistas algo ligado a nós que eles queiram mesmo muito ver, no segundo caso é que as coisas se tornam um bocadinho mais complicadas, mas também, a meu ver, muito mais cómicas, nessa situação o que é preciso é mostrar algo que eles prefiram ver do que a nós. Mas não podemos dar a entender que somos nós a mostrar. Calhou de aparecer. Precisamente quando nós precisávamos de desaparecer.
Ajuda se compararmos isto a um truque de ilusionismo. Pensem no Luiz de Matos, quando ele finalmente saca “o seis de espadas”, que uma rapariguinha do publico escolheu, apenas com o conhecimento da sua avozinha, do publico em estudio e toda a audiência da RTP, enquanto está vendado, e dentro de um aquário cheio de piranhas, com uma perna atada atrás das costas. Nessa altura ele vai segura-la bem alto, e á vista de todos para que ninguém duvide dos seu poderes místicos. Isto é o primeiro caso. No entanto, enquanto está a usar a mão direita para colocar a carta no sitio certo e se certificar que a vê bem, vai estar a distrair toda a gente com um discurso hilariante sobre os hábitos de acasalamento das abelhas de Burundi (o que, admita-se é bastante complicado de fazer a partir do interior de um aquário cheio de piranhas, mas hei, assim é a magia), e, isto é importante, a chamar atenção para a sua mão esquerda onde abana um lenço vermelho, um ramo de rosas e uma varinha magica. Tudo isto muito casualmente. Este é o segundo caso. Basta substituírem o público pelos jornalistas ( e a sua audiência), o pobre Luís de Matos por políticos e os acessórios por “acontecimentos”.
Agora uma das partes mais engraçadas é que de preferência se devem usar acontecimentos reais de modo a atrair ou afastar atenções, mas se isso não se passar, bem…também não há problema, só é preciso saber que acontecimentos criar. Ou então esperar por uma altura conveniente para divulgar aquilo que não nos convém, quando todos estão distraídos, antes que alguém o faça, numa altura em que as pessoas possam estar atentas. Uma boa altura é quando anda tudo sensibilizado por uma grande catástrofe. Afinal, quem é que vai ligar a uma, ou uma dúzia, de broncas de um governo quando estamos todos de luto e em choque pela trágica morte de milhares de pessoas. Foi isso mesmo que uma sra. do governo britânico se sugeriu que se fizesse no 11 de Setembro. Infelizmente, para a dama de coração de ferro, isso soube-se e, para bem da imagem do governo, deram-lhe um novo cargo equivalente à sua sensibilidade (i.e.inexistente) e puseram-na na rua.
Se não houver nenhuma catástrofe, bem, existe sempre o sábado, quando ninguém liga nenhum ás noticias.
Mas no caso, lamentável, de nem haver mortos nem feridos, e de o sábado ainda estar longe, bem, o que é importante é saber criar acontecimentos. È altura de se puxar pela cabeça. Vá lá, de certeza que há alguma visita oficial que se pode fazer. Ou uma conferencia de imprensa, sim, os jornalistas costumam gostar disso. Ou então, uma muito boa, a sempre amiga “ooops, eu disse ISTO? Ai meu Deus, espero que ninguém tenha ouvido, ISTO! Ignorem ISTO, que ISTO não é nada. ISTO!”, também conhecida por “fuga de informação”. Porque revelando sem crer propositadamente um grande “segredo”, todos vão andar a investigar o “segredo” e deixar de lado aquilo que até há alguns momentos era essencial.
No fundo na política mediática, o que é preciso é um pouco de talento e uma grande dose de imaginação. Tudo o resto é arte.

Friday, January 20, 2006

Aula 10: "Em Busca da Aula Perdida (E que Não Deveria Ter Sido Perdida)"

E esta foi uma péssima aula para se perder…
Para já devo avisar que qualquer erro na criação deste texto se deve ao facto de eu não ter estado presente na conferência do qual ele fala e que tenha que me basear nos relatos dos outros blogs para criar a minha impressão. No entanto, qualquer imprecisão é apenas de responsabilidade minha, causada por má interpretação.
Dito isto, vamos para a frente…
No passado dia 16 de Janeiro veio ao ISLA, Rafael Alves Rocha, o assessor da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE). Pelo que entendi ele tentou contradizer algumas ideias que fomos criando ao longo das aulas. Um dos pontos que focou foi que Assessoria de Imprensa não tem nada a haver com Relações Publicas (essa coisa que já vimos em textos anteriores, é tão feia).
Depois prosseguiu para distinguir a assessoria de imprensa da publicidade, já que os primeiros são meros “gestores de informação” enquanto que os segundos “é que fazem estudos de mercado.
Neste ponto destacou que as funções de um assessor de imprensa são decidir:
*quem convidar
*como sentar quem foi convidado
*criar um cenário
*pesquisar as edições anteriores para encontrar o que está mal, e não repetir os erros
*escrever comunicados de imprensa de formas diferentes, dependendo para quem se dirigem

Ao que parece a conferencia aqueceu quando foi posta a questão da manipulação. Rafael Alves Rocha tentou negar que um assessor era também um manipulador, apontando que o seu trabalho era meramente indicar á imprensa aquilo que ela precisava de saber. Depois negou também o uso da mentira na assessoria, pois isso iria quebrar um laço quase sagrado entre o Jornalista e o Assessor, já a omissão é outra história.
Negou ainda o uso de lobying. No entanto, não negou que quando um jornalista tem uma informação que não convém revelar o assessor pode pedir, com jeitinho, que se faça segredo até á altura adequada.
Por fim terminou com a nota animadora de que os assessores de imprensa são cada vez mais necessários no mundo de hoje, e que quem optar por este caminho tem boas perspectivas de emprego.
Embora não tenha lá estado, fico com a impressão que esta conferencia veio fundamentar muitas das nossas imagens dos Assessores, não tanto por aquilo que foi dito, mas mais pela forma como foi dito.

Aula 9: "Musica, Assessor!"

Voltando á imagem inicial deste blog, no filme Chicago, há uma cena onde o advogado Billy Flynn, leva a sua cliente, Roxie Hart, para frente de um grupo de jornalistas e começa, bastante literalmente, a falar pela boca dela. No número musical que se segue Roxie é mostrada como uma boneca de ventríloquo e os jornalistas como marionetas. A única pessoa de carne e osso, que controla toda esta cena é Billy Flyn.
Em muitos aspectos esta é uma imagem muito precisa e clara do que á a Acessoría de Imprensa. De facto, tal como neste filme, o trabalho de um bom assessor é evitar que o seu cliente fale de mais ou de menos aos jornalistas e, simulatneamente, fazer com que estes tomem cada uma das suas palavras como a mais pura e límpida das verdades. Isto, claro, independentemente, de serem ou não. O principal objectivo é passar uma boa imagem do cliente á opinião pública via jornalismo.
Daí que o melhor local de recrutamento de Assessores seja entre as fileiras dos jornalistas, já que eles sabem exactamente o que os seus colegas querem. Dessa forma, para muitos, a busca pela verdade é trocada pela busca da melhor verdade possível.
Agora, devido á falta de legislação no nosso país em tudo no que toca a Relações Publicas (que incluem a Acessoria de Imprensa) o que sucede é que uma pessoa pode saltitar entre posições as vezes que quiser, sem nunca ter problemas deontológicos. Por outro lado, isso levanta bastantes questões éticas. Qual é a credibilidade de um jornalista que ainda ontem estava a tentar, com todas as técnicas que conhece, defender a imagem de alguém? Qual é a sua legitimidade para entrevistar a pessoa para quem trabalhava? Não deveria, pelo menos, haver um tempo de pausa entre se ser A.I. e jornalista? E as informações que adquire como A.I deverão ser usadas no decorrer do trabalho jornalístico ou vice-versa? É tudo como a água do Rio Douro, bastante turvo.
Mas uma coisa é certa, os jornalistas têm que estar cada vez mais atentos ás suas fontes, pois hoje em dia elas podem não ser meramente “fontes” mas mais utilizadores. Se não o fizerem correm o risco de serem tocados como um violoncelo. E existem várias sinfonias para tocar imprensa, desde o La Traviata em Bi Mentira, até á polémica Nona Sinfonia de Suborno, passando pelo sempre popular, e moralmente higiénico, As Quatro Omissões de R.P..

Friday, January 06, 2006

Aula 8: "O Nome é Bob, Big Bob"

Reunam-se agora todos para ouvir um conto sobre luta, vitoria, mal dicência e hamburgueres.
Para quem não sabe a "Big Bob's" é uma cadeia de fast food bem portuguesa (ok, é cert que nem o nome "Big Bob's" nem a expressão fast food é nossa, mas compreendem a ideia, alinhem comigo nisto), que tem combatido, com sucesso, o Mac Donnalds no interior do pais. O irredutivel lusitano Vitor Gomes, dono do grupo, resiste ainda e sempre ao invasor americano. Mas a vida não é facil na gestão dos estabelecimentos do interior norte. Na verdade o maior problema do Big Bob's é a imagem do seu dono. Na sua terra ele é visto como estando ligado á droga e a outros negocios menos licitos. O seu passado como James Dean rural tambem não ajuda muito. Ele ainda tentou mudar isso, patrocinando o clube de fotebol local, mas a unica paga que recebeu foi comentarios maldosos sobre a origem do dinheiro investido.
De facto, o grande problema de Vitor Gomes é não se conseguir desprender da sua "santa terrinha". Para isso precisaria da ajuda de uma equipa craque de super herois, a liga das Relações Publicas. Na realidade, se ele tivesse a ajuda de uma empresa de R.P. não teria qualquer problema em mudar a sua imagem, talvez atravez de campanhas que atraissem a atenção dos media, até o tornar num "household name", como dizem os nossos amigos americanos e britanicos. Depois disso sim, o respeitavel Sr. Vitor Gomes poderia investir em acções filantropicas que mostrassem a todos a excelente pessoa que ele é bem lá no fundo. Quem sabe, até, associar-se a uma campanha contra a droga, essa causa tão nobre e que faria tantos concidadãos de Vitor Gomes ter que saborear um bom sorvete de sapo vivo.

Monday, December 05, 2005

Aula 8: "Comunicação: do " ái senhor, uma esmolinha para o ceguinho" ao "Nokia: Conecting People""

Uma das muitas questões que se podem levantar durante a leitura deste blog é: “Mas afinal porquê tanto espectáculo, porquê tantas luzinhas e lantejoulas? Não bastaria que as pessoas constatassem a qualidade de um produto, serviço ou candidato político e deixa-lo valer por si próprio?”
A resposta correcta é sim…se se viver na terra encantada da fada dos dentes com nuvens de algodão doce e rios de chocolate quente. Aqui em baixo, no mundo real, bem…esta é mais uma daquelas coisas que tem mesmo que acontecer independentemente da nossa opinião sobre o assunto. Esta necessidade surge devido aos vários interesses em conflito. De facto nada disto é novidade, este fenómeno sempre existiu, embora nunca com os meios nem a intensidade com que se faz sentir hoje. O pregão dos vendedores de rua, ou a expressão “uma esmolinha para o ceguinho” são exemplos de como isto ocorre naturalmente. (É obvio que o “ceguinho” não usa diminutivos nas duas palavras chave do seu pregão inocentemente, é uma maneira de suscitar piedade e sentimentos de protecção no seu “publico”, ainda que surja de forma instintiva.)
De facto, as relações publicas limitam-se a fazer isto de forma “científica”, tentando definir um público alvo (já que uma mensagem para ser eficaz tem que se dirigir a um publico bem definido, pois não se pode influenciar todos da mesma forma), detectar as necessidades de quem pede a comunicação (pois a mensagem deve ser diferente conforme os objectivos), definir ideias chave, criar suportes para a mensagem e analisar os meios necessários para a passar e por fim analisar o impacto dessas mensagens.
No fundo a mudança de pregões e cartazes feitos com marcadores florescentes para marketing e relações publicas é como a mudança dos filmes dos irmão Lumiere para a Guerra das Estrelas, só os efeitos especiais é que são melhores, as intenções e motivos são exactamente os mesmos.
Não quer isto dizer, claro, que temos que aceitar esta situação cegamente, compete-nos conhecer como todo este processo se desenrola para podermos marcar bem a nossa própria posição e não correr o risco de defendermos posições com as quais realmente não concordamos. Agora o que temos que aceitar é que tudo isto é tão inevitável como o sol nascer todos os dias, não temos que gostar de sol, mas temos que saber viver com ele…

Monday, November 28, 2005

Aula 7: "O Codigo Relações Publicas"

Como em Portugal a palavra "relações publicas" é vista quase como um palavrão e ainda por cima um palavrão largamente desconhecido (até porque alguem que trabalhe em relações publicas quando vai as finanças tecnicamente trabalha em "outros"), esta industria não tem regulamentação. Apesar de existirem varias empresas de relações publicas poucas se designam como tal, para alem de não terem que divulgar nem os seus clientes clientes nem as suas contas. Desta forma, no nosso pais, as empresas de relações publicas são um bocadinho como o "Codigo Da Vincie", ou seja, bastante misteriosas e enigmaticas, sendo preciso olhar bem para as suas complexas designações para se descobrir que elas realmente estão lá.
No fundo, descobrir as empresas de relações publicas em Portugal é um trabalho para Robert Langdon (para quem não sabe é o criptologista...ou criptologo, já não me lembro...do Codigo Da Vincie).
De facto, tecnicamente, algumas delas nem sequer existem, outras fazem tudo menos o que realmente fazem, outras ainda nem sequer têm sites (que no fundo, nos dias que correm, é o mesmo que não existir) ou não os têm em português e pelo menos uma delas aparentemente é "As Paginas Amarelas", já que quem vai ao seu site é redirigido para lá...
Mas no fundo todas elas existem e fazem o mesmo: tentar passar uma boa imagem de quem as contrata á opinião publica.

Monday, November 21, 2005

Aula 6: "O Papel. Qual Papel? O Papel."

No mundo mágico do marketing, existem duas grandes formas de angariar clientes para produtos. Uma, da qual já falei, são as relações públicas, quando eu não falo do meu produto, mas antes, quando alguém fala por mim, a outra é a publicidade. Apesar das relações públicas terem mais efeito são bastante complexas e difíceis de arranjar, portanto é frequentemente preferível utilizar publicidade.
Mas como a publicidade sofre de um problema de credibilidade (i.e. não a tem), existem vários métodos de tornar a publicidade mais próxima das R.P. Uma delas é o product placement, quando aquilo que queremos vender aparece, bastante casualmente, durante uma cena de um filme ou de uma série televisiva, levando a audiência a pensar nele. Outro truque, bastante inteligente, é disfarçar a publicidade de noticia, a Publi Reportagem. Com este método os incautos leitores do jornal acabam por ler publicidade a pensar que se estão a informar e assim tomam, de certa forma, ficção como facto.
Mas como toda a gente tem o seu preço, por vezes é mais simples arranjar um porta voz mediático em quem as pessoas confiem para o ligar á imagem do nosso produto. Assim, certamente, haverá sempre alguém inocente o suficiente para se acreditar que aquela pessoa está a falar de algo que usa e não de alguém que lhe paga, acabando por pensar que se aquilo é bom o suficiente para aquela figura, também é bom para ele.
Mas devido aos seus problemas de credibilidade, a publicidade pode ter como objectivo aumentar substancialmente a visibilidade de um produto, criando dessa forma R.P. Para isto o produto deve ser tão original ou a campanha tão chocante que o torna alvo de notícias e centro de conversas diárias. Isto é o que aconteceu, por exemplo, em França quando a Renova, desejosa de penetrar no mercado e ter visibilidade, lançou algo tão útil e crucial no desenvolvimento humano como papel higiénico negro. Aliado ao produto fez também uma campanha particularmente chocante. Moral da historia, um dos anúncios era tão chocante que foi banido e o papel higiénico da Renova acabou por aparecer em todos os meios de comunicação, incluindo num outro pequeno papel de seu nome Le Mond, e tornou-se em algo que as famílias discutem á mesa do jantar (tendo apenas por limite as regras da etiqueta e boas maneiras).

Monday, November 07, 2005

Aula 4: Artes Plásticas na Comunicação: A Importancia dos Perus

Um dos eventos mais bonitos durante a guerra do Iraque foi a chegada do Presidente Bush ao coração do conflito, num belo dia de acção de graças carregando uma deliciosa travessa de peru. Todo o mundo viu, a Casa Branca teve o cuidado de avisar um fotografo de uma agencia noticiosa sobre onde estaria o presidente. E de facto todo o mundo, ao ver, se deliciou com o aspecto daquele gordo peru (o que estava na travessa, não o outro). Infelizmente, os militares é que não se deliciaram assim tanto, a menos que algum deles tivesse uma especial propensão para comer plástico.
De facto, o gordo peru dos jornais era um mero elusionismo á David Copperfield, mas tambem nem o presidente nem a casa branca disseram o contrario, quem assumiu que o peru era verdadeiro foram os jornais e o publico. Mais uma vez o departamento responsavel pela imagem do presidente fez um bom trabalho.
Este é um truque muito comum, eu não digo bem de mim, limito a mostrar-me "a fazer bem" e quem vir que diga bem de mim. É bonito, já que o auto-elogio não é muito convincente, a Casa Branca a dizer que o Presidente Bush é um excelente senhor pode convencer alguns mas não imensos, mas se forem pessoas não ligadas á Casa Branca nem ao Sr. Presidente, aí sim, deve ser verdade, afinal, qual é o interesse deles.
Daí que a melhor publicidade não é aquela que fazemos, mas antes aquela que fazem por nós. Claro que para isso, por vezes, é preciso um bom adereço que pareça de qualidade, mesmo que no final o jantar seja de plástico.